Como a plataforma funciona
Explicação pública, para qualquer pessoa conferir: para que serve, como funciona, como cuida dos dados e quem faz. Atualizada em 14 de outubro de 2026.
Em resumo
- É um mapeamento. Registra quem tem dificuldade para chegar à urna, onde mora e por quê.
- Não oferece transporte. A plataforma não leva ninguém, não combina transporte e não pergunta em quem a pessoa vota.
- Protege quem se cadastra. Nomes e telefones nunca aparecem: o site mostra só totais por cidade e por estado.
- Todos os dados estão disponíveis. Os totais ficam à disposição da Justiça Eleitoral, do poder público e de quem solicitar.
- É voluntária e gratuita. Sem financiamento, sem custo para ninguém.
- Tem prazo. Nomes, telefones e respostas são apagados até 25 de novembro de 2026.
1. Para que serve
No 1º turno de 2026, segundo o resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33.469.244 dos 158.745.502 eleitores aptos não compareceram, ou 21,08% do eleitorado. Parte dessas pessoas queria votar e não conseguiu chegar ao local de votação.
Os dados oficiais já mostram onde estão as barreiras:
Mas eles não dizem quem são as pessoas que ficam de fora nem o que as impede. É isso que esta plataforma registra: cada cadastro diz onde a pessoa mora e o que dificulta ir votar. Somados, os cadastros mostram ao poder público onde agir.
2. Como funciona
- A própria pessoa, ou alguém da família ou amigo, faz o cadastro: nome de quem cadastra, WhatsApp, estado, cidade, região da cidade e o que dificulta chegar à urna.
- Os cadastros entram, somados, no Mapa das abstenções, ao lado da abstenção oficial de cada estado. O mapa mostra só totais por cidade e por estado.
- Os totais ficam à disposição de quem pode agir: Justiça Eleitoral, Ministério Público, prefeituras, governos, universidades e organizações da sociedade civil.
O que dificulta chegar à urna
No cadastro, a pessoa marca uma ou mais opções:
Corrigir ou excluir
Em “Meu cadastro”, no fim da página, cada pessoa corrige ou exclui o próprio cadastro a qualquer momento. A exclusão apaga nome, WhatsApp e respostas na hora.
O que mudou em 14 de outubro de 2026
Até essa data, a plataforma se chamava “Carona solidária para votar” e aproximava quem oferecia e quem precisava de carona. Essa função foi encerrada: a plataforma não oferece nem combina transporte. Os cadastros de quem oferecia carona não aparecem mais no site e podem ser excluídos por quem os fez. Quem tinha pedido carona continua contado no mapa e pode informar o que dificulta ir votar em “Meu cadastro”.
3. Como cuida dos dados
A plataforma coleta só o necessário, segue a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) e apaga nomes, telefones e respostas até 25 de novembro de 2026.
| Dado | Para que serve | Quem vê |
|---|---|---|
| Nome e WhatsApp de quem cadastra | Evitar cadastros repetidos e permitir que a pessoa encontre, corrija ou exclua o próprio cadastro | Só a equipe |
| Para quem é o cadastro | Saber se foi a própria pessoa ou alguém por ela | Só a equipe |
| Estado, cidade e região | Mostrar onde estão as dificuldades | No mapa, só totais por cidade e estado |
| O que dificulta chegar à urna | Mostrar por que as pessoas não conseguem votar | Só totais, sem identificação |
O que não é coletado
CPF, RG, título de eleitor, zona, seção ou local de votação, endereço, data de nascimento ou idade, diagnóstico ou qualquer detalhe de saúde além da opção “dificuldade para andar ou deficiência”, preferência política, partido, candidato, voto, religião, renda, foto e localização do aparelho.
Base legal e direitos
Os dados são tratados com o consentimento de quem se cadastra (LGPD, art. 7º, inciso I). Como uma das opções é dado de saúde, a autorização do cadastro é específica e destacada (art. 11, inciso I). Totais sem identificação não são dados pessoais (art. 12). Cada pessoa pode corrigir ou excluir o próprio cadastro a qualquer momento e pedir acesso aos seus dados falando com a Casa Marighella .
Onde os dados ficam
Numa planilha Google da conta da Casa Marighella, com acesso restrito à equipe responsável. O programa que grava os dados só tem permissão para acessar essa planilha. A página fica na Cloudflare, e uma verificação anti-robô da Cloudflare protege os formulários.
Sem rastreamento
O site não usa cookies de rastreamento, anúncios nem ferramentas de análise de público. No aparelho da pessoa ficam guardados só a chave de acesso ao próprio cadastro e o último número do contador.
4. Dados para políticas públicas
Mapear as barreiras de acesso ao voto transforma a abstenção de um problema genérico em desafios de logística que têm solução. Com os dados no mapa, as ações deixam de depender de intuição e podem ser precisas, respeitando o tamanho do país e as desigualdades entre as regiões.
Quem mais enfrenta barreiras para votar
- Pessoas idosas, com deficiência ou com mobilidade reduzida, o que inclui gestantes e quem está com criança de colo (Estatuto da Pessoa com Deficiência, Lei nº 13.146/2015, art. 3º, inciso IX).
- Mães e pais solo e quem cuida de familiares acamados, com deficiência ou crianças pequenas e não tem com quem deixá-los para ir votar.
- Moradores de zona rural, de comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, para quem a barreira é a distância e, às vezes, a necessidade de barco.
- Trabalhadores em escala ou informais, que não conseguem se ausentar sem perder renda.
Como o poder público pode usar estes dados
- Logística eleitoral de precisão: levar seções para mais perto de comunidades isoladas e rurais.
- Acessibilidade: priorizar a adaptação dos locais de votação onde há mais pessoas com dificuldade de locomoção e divulgar a transferência temporária para seção acessível, que quase ninguém usa.
- Transporte no dia da eleição: planejar o transporte coletivo gratuito determinado pelo STF (ADPF 1013) e o transporte da Justiça Eleitoral para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida onde não há ônibus.
- Cuidado: espaços de acolhimento para crianças nos maiores locais de votação, para que mães e pais solo possam votar.
O Mapa do acesso ao voto cruza dados oficiais do TSE e do IBGE, estado por estado, e mostra onde essas barreiras são maiores.
Todos os dados estão disponíveis
Os dados desta plataforma ficam à disposição da Justiça Eleitoral, do Ministério Público, dos governos e de qualquer pessoa que solicitar, sempre como totais sem identificação: pessoas cadastradas por cidade e por estado e o que dificulta ir votar, por estado. Totais com menos de 5 pessoas não são divulgados, para que ninguém possa ser identificado. Dados pessoais só são entregues por requisição de autoridade competente, na forma da lei. Pedidos: .
5. Quem faz e contato
A plataforma é uma iniciativa voluntária da Casa Marighella (Casa Marighella Arte Ltda., CNPJ 41.649.320/0001-54), que responde por ela e atende .
Não recebe dinheiro de ninguém e não gerou custo: funciona em serviços gratuitos (Cloudflare e Google) e num endereço do site que a Casa Marighella já mantinha. Ninguém é pago para criar ou manter a plataforma, e nenhuma divulgação é impulsionada com dinheiro.
Fontes: resultado oficial do 1º turno (TSE), TSE, Portal de Dados Abertos: Eleitorado 2026, IBGE, SIDRA, Lei Geral de Proteção de Dados, Estatuto da Pessoa com Deficiência e MPF, direitos das pessoas com deficiência na hora de votar.